Carnaval de Salvador 2024

Muitas histórias para contar deste Carnaval. Dava um livro. Vamos lá!

I. Lisboa – São Paulo – Salvador

1. Partida

Viajámos de Lisboa para Salvador, com escala em São Paulo, com a LATAM airlines. O voo teve MUITA turbulência, mas chegámos sãs e salvas xD

Não deu propriamente para dormir, pois foi um voo diurno que começou às 9 h de Lisboa e chegou a São Paulo às 15h locais. Eu e a Inês vimos o mesmo filme, que achámos muito divertido: o filme “Casados no paraíso”, uma comédia romântica que nos valeu boas gargalhadas. Desde o princípio do filme que nos relacionámos com a história, pois começa com duas amigas que são como irmãs e viajam juntas para as Maldivas. 

Em São Paulo, ficámos hospedadas no apartamento do nosso amigo que foi meu professor de Doutoramento, o prof. Jonas, que gentilmente nos ajudou em tudo o que podia e não podia, como sempre faz! Também a sua namorada, Angela foi incrível na forma como nos recebeu. Muito agradecemos aos dois. Tinha conhecido o Jonas em 2016, no meu segundo ano de doutoramento, que me deu um apoio extraordinário durante os 2 meses que vivi em São Paulo! O prof. Jonas veio a Portugal dois anos depois, em 2018, ficando alojado com a família em casa dos meus no Alentejo. Sempre que partilhamos momentos juntos é maravilhoso. Jonas é uma pessoa de uma generosidade e altruísmo incríveis, como há poucas. Passados 6 anos, agora em 2024 encontramo-nos de novo, e ficamos com a certeza que há amizades que duram uma vida inteira… Recordámos momentos passados, partilhámos novidades, enquanto tratámos de alguma questões de logística relacionadas com a chegada a um novo país: precisávamos de um cartão SIM brasileiro.

2. Cartão SIM: que operadora escolher no Brasil?

As operadoras telefónicas que oferecem melhor cobertura no Brasil são a TIM, VIVO e Claro. Faz sentido fazer a escolha dependendo do estado do Brasil para onde vão viajar. 

Consultando o site https://melhorescolha.com/internet-movel/melhor-internet/ba/, chegámos à conclusão que de um modo geral  a Claro oferece uma melhor cobertura na Baia, enquanto que a TIM é melhor no estado de Pernambuco.

Assim, eu e a minha irmã optámos por 2 operadoras diferentes de modo a termos 2 opções diferentes, caso uma das operadoras falhasse. 

Dicas na aquisição de cartão SIM.

Onde opter cartão SIM?

Num shopping.

Nós tentámos obter um no aeroporto de Guarulhos – São Paulo, mas não encontrámos nenhuma loja. Assim como também não encontrámos mais tarde no aeroporto de Salvador, Recife ou Congonhas, em São Paulo.

A solução que encontrámos foi ir até um shopping em São Paulo que tinha tudo. Aparentemente era o shopping mais chique de São Paulo, preciso de perguntar ao Jonas o nome pois não fixei.

Como saber qual a operadora com melhor cobertura nos lugares que irei visitar?

Consulta o site, e verifica qual a melhor opção.

https://melhorescolha.com/internet-movel/melhor-internet

3. Jantar em São Paulo

Nessa noite, ainda fomos jantar a um excelente restaurante de serviço buffet. Comemos palmito, beringela, mandioca frita, e tinha também um rodízio de carnes que fez as delícias deles, para mim fizeram uma bela posta de salmão. Estava tudo uma delícia!

De barriga cheia, fomos finalmente descansar.  

No dia seguinte, tomámos o café da manhã no apartamento do Jonas e seguimos para o aeroporto.

4. Perrengue chique

Os perrengues da viagem começaram logo no primeiro dia, já estávamos a caminho do aeroporto quando recebi um e-mail da LATAM a informar que o nosso voo tinha sido adiado. Propunham um voo para Salvador com partida de Guarulhos. Depois de muito tempo na fila da LATAM (a mesma onde se faz o check-in, e não a loja) conseguimos um voucher para táxi que nos transportava para o aeroporto de Guarulhos. Lá, tivémos de esperar mais 1 hora na fila do check-in da LATAM para conseguir um voucher de alimentação que nos valeu 20 reais. Deu para pagar o almoço, porque fomos muito contidas, pois apenas as refeições mais simples (saladas de pacote, hamburgures simples, wraps, ou fatias de pizza) prefaziam aquele valor… Eu optiei por uma salada de frango e quinoa, a Inês por um hamburguer. 

Outro perrengue simultâneo, foi o meu cartão Revolut ter começado a rejeitar pagamentos nos hotéis que tínhamos reservado pelo booking por suspeita de fraude. Tive de dar consentimento para que o pagamento fosse efetuado. Mas no final correu tudo bem. Apenas alguém me tentou clonar o cartão Revolut em São Paulo. A sorte é que depois das viagens eu tiro todo o dinheiro do cartão. Penso que terá sido no Shopping.

5. Salvador visto de cima

A chegada a Salvador foi mais tardia do que o esperado. Ás 18h, já o sol se punha em Salvador. Foi lindo vislumbrar a baía de todos os santos da janela do avião, na hora dourada do pôr-do-sol. Foi uma das imagens mais bonitas que vi da cidade. Algo assim, só tinha sentido quando aterrei pela primeira vez em Nova Iorque, também ao pôr do sol. Mas aqui, a beleza era natural…Fiquei apaixonada à primeira vista por este lugar.

6.  Cheguei chegando Salvador

Chegádas ao aeroporto de Salvador, fomos diretinhas ao balcão do Folia Bahia buscar os nossos abadás para o Bloco do Nana que tínhamos previamente comprado online com entrega no aeroporto. No final de contas, viemos a descobrir que entregavam os abadás no shopping Barra também (de forma gratuita). E nós, feitas gringas, fomos cair na armadilha de pagar mais 20 ou 30 euros para entrega no aeroporto só porque não sabíamos disso! Turista é burro mesmo!

De seguida, mais uma vez, deslocámo-nos até ao balcão da LATAM para pedir um táxi para o nosso airbnb. Tivémos direito pelo facto de o voo ter chegado em horário posterior ao esperado. A moça que nos atendeu, prontificou-se logo a ajudar. Dava a entender não saber o que estava a fazer, mas tinha muita vontade de nos conseguir o táxi. Então, foi falar com a chefe. Após uns 15 min, lá veio ela com um grande sorriso enquanto dançava dizendo que o taxi já estava a caminho. 

O aeroporto já tinha uma vibe diferente, um toque de festa contagiante. Juro que parecia que estávamos dentro de um filme de teatro musical, mas na vida real. Isto porque os atendentes de balcão do check-in, assim como os seguranças, empregados de limpeza… todos cantarolavam as músicas de Axé antigo e morderno que iam passando em som bem audível no aeroporto. Afinal, era quinta-feira, faltava 1 dia para o Carnaval começar oficialmente.

7. O taxista sem fé

Saindo do aeroporto, o taxista já começou a barafustar quando soube que tería de nos levar até a uma rua próxima do circuito de Carnaval. Neste dia, já havia alguns grupinhos de samba a circular pelas ruas, e havia já várias estradas cortadas na zona… 

-“ui… perto do circuito… vai pegar trânsito demais!”

Nós tentámos não dar muita trela ao queixume. Andou mais uns Km, mas voltou e reclamar… 

-“Nestes dias é muito complicado. Eu não sei se irei conseguir levar vocês na porta do apartamento…”

-“Por favor, tente chegar o mais próximo possível do apartamento e nós já vemos como dá para fazer.” – pedi eu.

Entretanto, eu já pesquisava no Google maps quais os restaurantes abertos na redondeza do apê, onde nós pudéssemos ficar a aguardar pelo nosso host do airbnb.

-“Talvez vocês tenham de se arriscar um pouco.. e andar com as malas até ao apartamento… Fé em Deus! “ 

-“Tenha compaixão da gente. Por favor tente.” – disse a Inês em modo católico, tentando chamar pelo coração do homem.

Ele pareceu ceder um pouco:

– “Eu vou tentar, mas eu não garanto. “ 

Mas, pouco depois o taxista já começava a levar as mãos à cabeça, vendo as ruas que o Waze lhe indicava estando bloqueadas ao trânsito.

– “Tente ir por cima “ – sugeriu a Inês que tinha uma fraca ideia do mapa da cidade na cabeça mas sentia que tinha de sugerir alguma alternativa.

-“Mas não tem como!!! “ … “Ah, então vou tentar por ali…”

Nós já nos contorciamos de preocupação, imaginando-nos as duas de noites numa das cidades mais perigosas do Brasil e passear com malas pelas ruas.

No final, o taxista lá nos deixou num restaurante a 5 minutos a pé do apartamento. A rua Marquês de Caravelas era bastante iluminada e estava movimentada. Aceitámos ficar ali e pedimos ao nosso host do Airbnb que fosse ter ao restaurante para nos ajudar com as malas. Assim foi! No final, tudo tranquilo… ufa, já estávamos no apartamento!

8. Boas-vindas no Apê

Fomos recebidas pelo Leonardo e pelo seu irmão, o Mauro. O Leonardo tinha um daqueles sorrisos mesmo generosos. O Mauro tinha ar de quem gosta de festa baiana. 

Recomendaram-nos que nessa noite fossemos para o pelourinho, mas para termos cuidado com os nossos pertences. No entanto, depois de noites mal dormidas, optámos pelo circuito Barra-Ondina ou Dodô, que ficava a 5 min a pé do apê. 

Ambos foram muito simpáticos, o Leonardo deixou-nos completamente à vontade e o Mauro, que já ia embora na manhã seguinte para o Rio de Janeiro, apenas nos disse Adeus e deixou uma frase de boas-vindas que nos deixou empolgadas: “ Curtam muito! A cidade está cheia de Axé para vocês.”

9. Pré-Carnaval

Nessa noite, 7 de Fevereiro, não resistimos à curiosidade e já saímos para conhecer o circuito Dôdô ou “Barra-Ondina”. Jantámos algumas comidinhas de rua: eu um Acarajé, e Inês um Misto de Carnes com um puré de mandioca (Aipim). Os preços eram bem baratinhos: com 10-20 reais (2-5 euros) fazíamos uma refeição facilmente.

A avenida oceânica ainda estava bastante circulável. Ao som das bandinhas de samba tocando músicas de Carnaval, lá íamos identificando os nossos pontos de referência: Farol da Barra, de onde iriam partir os trios elétricos (neste primeiro dia ainda não havia trios elétricos – aqueles grandes carros alegóricos com artistas famosos – apenas grupos de foliões e grupos de música entoavam pelas ruas); o Morro de Cristo, uma espécie de Arpoador em Salvador, que é o local indicado para quem quer curtir a pipoca com espaço. Marcámos um ponto de referência para o caso de nos perdermos uma da outra na multidão, e lá fomos viver o Axé.

Na primeira noite de Carnaval havia vários mascarados, gente com plaquinhas dizendo “Me beija”, ou “Macetando”, “Calma calabresa”, ou outras piadas de Carnaval. Após cerca de 4 h a curtir o pré-Carnaval, voltamos para casa. O ambiente já era de muita festa. Ainda assim, nada comparado com o que nos esperava nos próximos dias!

Alguns carinhas passavam e perguntavam: “Posso-te conhecer?”, “Posso-te beijar?” (assim, de caras!), ou “Se te lembrares de mim sou o NOME de TAL lugar. Adiciona no Facebook/insta”… Mas nunca sentimos qualquer falta de respeito. Muitas vezes estamos na multidão, nem dá para saber quem te abordou… Se conseguires identificar quem falou e não quiseres, vale sempre dizer NÃO, e ninguém leva a mal. Afinal é Carnaval!

10. Dormir durante o Carnaval: É possível?

Uma pergunta frequente sobre o Carnaval é: conseguiam dormir? 

Sim, após as 3h da manhã, que é quando a música termina, ou quando o cansaço vence antes dessa hora. De manhã a música volta a soar em alto e bom som em padarias, restaurantes e lojas… Assim foi na nossa primeira noite em Salvador.

11. Visita ao Centro Histórico de Salvador

Na manhã seguinte, 8 de Fevereiro (quinta-feira de Carnaval), acordámos cedinho, às 8h, para fazer uma visita guiada ao Centro Histórico de Salvador. Fizémos esta tour com a empresa “Salvador by foot”. É uma walking tour sem qualquer custo de reserva que pode ser reservada online através do site: https://www.tourbyfoot.com/salvador/pt

As tours acontecem de segunda a Domingo às 9h30, e de Segunda a Sábado às 15 h. Existem tours em inglês, português e espanhol. 

No final apenas é esperado que seja dada uma gorjeta ao guia que é recomendado que seja um mínimo de 50 reais por pessoa, mas cada pessoa dá o que considerar adequado dependendo das suas possibilidades e da prestação do guia. 

Apanhámos o uber no nosso apartamento e em 15 min estávamos no ponto de encontro, o cinema Glauber Rocha, na Praça Castro Alves

Durante esta tour ouvimos sobre a história da cidade desde a chegada dos Portugueses ao Brasil em 1500. Salvador foi uma cidade que recebeu muitos escravos, e os efeitos da escravatura têm graves impactos até aos dias de hoje. Logo na Praça Castro Alves vemos um hotel super luxuoso com vista para um prédio onde as pessoas vivem sem condições sanitárias básicas. O choque de classes sociais é abismal. 

Seguimos então até à Praça Tomé de Sousa, onde encontramos o Palácio do Rio Branco (prédio governamental em estilo neoclásssico) e o antigo e icónico Elevador Lacerda, o primeiro elevador urbano do mundo, que permite conectar as partes baixa e alta da cidade. 

Em época de Carnaval todos os monumentos históricos estão encerrados ao público. Mas normalmente, é possível entrar para visitar o Palácio do Rio Branco gratuitamente. Já o Elevador Lacerna estava em manutenção com um custo simbólico de apenas 5 reais / pessoa para subir ou descer. 

Nesta praça, tivémos oportunidade de apreciar uma magnífica vista da baía de todos os santos, olhando de lá de cima o Mercado modelo, o porto de Salvador e o Forte de São Marcelo (apelidado por Jorge Amado como “o umbigo da cidade”). Dali, conseguíamos ainda identificar a ilha dos Frades e a ilha de Itaparica. 

Continuámos a subir até ao monumento da cruz quebrada, passámos pela Fundação Casa de Jorge Amado e pela Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos onde provámos um delicioso e refrescante suco de limão com coco de um vendedor ambulante. 

A partir daqui, fomos constantemente surpreendidas por ruas de estilo empedrado, casinhas coloridas e muitas lojinhas de artesanato com muitas ideias para souvenirs bem típicos e baratinhos. Comprámos porta-chaves, pulseirinhas, bolsinhas, ímans… Coisinhas leves, pois iríamos carregá-las o resto do dia. Mas é um ótimo lugar para comprar roupinhas, cangas de praia ou peças de arte.

Adorámos conhecer aquela zona em volta do pelourinho, possui esse nome por ter tido uma coluna no centro do largo, no período colonial, que servia para castigar escravizados e criminosos em praça pública.

No geral, adorámos conhecer o Centro Histórico de Salvador, super bonitinho. Há uma sensação de familiaridade inevitável para Portugueses. Culturalmente, parece que estamos em Portugal. A arquitetura e os monumentos históricos dão essa sensação, no entanto a atmosfera é brasileira.

Almoçámos no restaurante Tropicália, no entanto apenas recomendamos este restaurante para quem pretende uma refeição simples: como filé de frango com arroz, feijão e farofa. Come-se muito em conta. Masn, não aconselhamos comer peixe neste restaurante, foi um erro que cometemos ao escolher “Pescada Baiana” e “Bobó de Camarão”.

No entanto, é um restaurante para comer carne, e não peixe. Nenhum dos pratos de peixe estava saboroso… Aconselhamos a escolherem no google Maps um restaurante que tenhas reviews acima de 4 e com um número de reviews elevado.

De seguida, percorremos as ruas do Centro Histórico, desta vez já sem guia, mas conseguimo-nos orientar bem. Por volta das 14 h, rumámos de novo à Praça Castro Alves, onde a Pipoca da Iveta iria começar às 15 h.

12. Abertura do Carnaval – Pipoca da Veveta

“Ivete, cadê voce? Eu vim aqui só pra te ver!”

Fomos das primeiras a chegar à praça Castro Alves, perto das 15 h (suposta hora de início), mas atrasou como sempre. Aguardámos pela Ivete numa sombra, sentadas no chão, sobre uma máscara de papel que nos foi oferecida. Só começou pelas 16 h com uma apresentação cultural com os reis do Carnaval de Salvador. A sessão começou com a proferação de uma frase nua e crua: “No Carnaval só existe dois tipos de pessoas: as que estão ao Salvador, e as que gostariam de estar em Salvador”. Nós tínhamos a sorte de estar ali!! Sendo o Carnaval, sendo Bahia, conhecendo a cidade de luz e prazer, correndo atrás de um trio.

Durante a espera, batemos um papo com uma casal que vinha do Rio de Janeiro. A mulher fez questão de nos mostrar a doleira e todas as bolsinhas interiores em que escondia os seus pertences. Era uma doida total!

Assistimos ao espetáculo de abertura do palco principal, super animado, e “tudo legal”:

– “Pessoal, agora vai falar o senhor Prefeito.” – anunciaram

-“Boa tarde pessoal! Declaro oficialmente aberto o maior Carnaval do planeta!!!” – proferiu o prefeito.

A multidão foi ao rubro. Mais perto da hora, chegámos perto do carro onde o trio elétrico da Ivete iria tocar. Apesar da multidão à nossa volta, sentirmo-nos confortáveis. 

No entanto, quando a Iveta começa o show e passa a música “Saudade na cabeça!” o público endoidece… a multidão começa a pular, há inevitavelmente empurrões e eu me sinto cada mais mais apertada e empurrada para perto do carro elétrico. Tentei descomprimir, e consegui não entrar em pânico, mas a claustrofobia, o medo de ser empurrada contra o carro elétrico fez-me querer sair dali. Olhei para a minha irmã e naquele instante lemos os pensamentos uma da outra: “Hora de sair daqui!”. Não houve nenhum perigo iminente… mas no Carnaval é mesmo assim, tens de tomar conta de ti! Se se sentes numa situação de aperto, só há um escape. Sai desse lugar! A solução é só uma: fura a multidão e sai dali. Por vezes, tens de fazer alguma força mesmo e ir contra-fluxo. Assim foi o nosso primeiro, de muitos momentos de aperto no Carnaval de Salvador. Felizmente encontrámos uma zona de apenas alguns metros atrás (embora também muito preenchida) mais tranquila, sem empurrões, onde conseguimos curtir a pipoca de boa !! A partir daí a nossa diversão foi uma constante!

No geral, a pipoca correu sem incidentes, mas houve uma grávida e mais umas 5 pessoas que estavam muito perto do trio elétrico da Ivete que se sentiram mal devido ao ambiente suado, apertado e ao calor de 30 graus que se fazia sentir. No entanto, o povo consegue ser civilizado e abrir espaço para os bombeiros e a polícia passarem sempre que necessário. A partir daí, quando vimos que mesmo em situações complicadas, existe socorro possível, ficámos mais tranquilas, procurámos ambientes seguros e animados… e foi só diversão 😀 Felicidade em estado puro!

Curtimos muito e pipoca da Ivete, e já no final a Anita aperece de surpresa!! Menina, quer-nos matar do coração?? O Carnaval não podia ter começado melhor. E, no fim, olhando para trás, aquele momento de aperto foi a nossa praxe, quem não passa por isso não experienciou o Carnaval de Salvador no seu todo. Quando tudo corre bem, no final percebes que essa experiência  “Faz parte do pacote” 😉

13. Circuito Osmar

Quando a Anitta deu o show por terminado na Praça Castro Alves, a multidão começou a circular em fluxo para sabíamos nós lá onde… Nem olhámos para o Google Maps, simplesmente seguimos o fluxo. Havia de nos levar para onde a festa continuava. Seguimos então pelo circuito Osmar, terminando no Teatro Castro Alves. Pelo caminho, parámos na praça da Aclamação, em frente ao palácio da Aclamação onde jantámos um pastel de frango e queijo, e outro de queijo e goiaba. Foi o ideal para repor energias! Os trios elétricos continuavam a passar e a agitação não tinha fim à vista. No entanto, já estávamos meio que sem saber o caminho para casa a partir dali. Chegádas ao ponto final do circuito Osmar, o teatro Castro Alves, perguntámos à polícia como seguir para o Farol da Barra, um dos nossos pontos de referência, ou onde apanhar um táxi. Eles informaram que ambos se baseiam em seguir a mesma direção: descer pela avenida 7 de Setembro… Podíamos ir a pé e se em algum momento precisássemos de táxi era só levantar a mão, pois eles passavam a todo o instante.

Era tanta a multidão que circulava na avenida 7 de Setembro que em nenhum momento ficámos com medo. Havia outros grupos aos quais nos juntávamos, a rua era bastante iluminada, por isso decidimos continuar a pé até ao Farol da Barra. Se em algum momento o percurso ficasse vazio de pessoas, aí chamaríamos um táxi. Mas não foi preciso! Havia dezenas de pessoas a toda a hora a passar na avenida 7 de Setembro… a Avenida que liga os dois circuitos de Carnaval. É inclusive uma ótima opção ficar aí perto para quem procura um lugar minimamente sossegado (ou seja, sem música aos altos berros) a uma distância possível de percorrer a pé entre os 2 circuitos de Carnaval, sendo o Uber/ Táxi também uma opção bastante viável nesta localização.

14. O açaí do demónio

Chegádas perto do Farol da Barro, avistámos um Açaizeiro… E parámos para comer um belo Açaí e um picolé de Açaí e leite condensado. Soube bem no momento, mas tornou-se um presente envenenado… no dia seguinte, estávamos de caganeira. Cuidado com a água da Bahia. Para nós, bastou a colher que é usada para retirar o Açaí estar imersa em água, como de costume nas gelatarias…

Depois de provarmos o “veneno”, demos mais uma voltinha pelo circuito Barra-Ondina, e fomos para casa à 1 h.

15. Prepara que agora é hora

No dia seguinte, acordámos bem cedo para ir ao WC :p Após algumas dejeções, atacámos com Prolife, Dyoralite e Imodium. Lá fora, chovia daquelas chuvas tropicais (e cá dentro também haha)! Voltámos a dormir até às 12 h, e fomos do apartamento até ao Shopping Barra (5 min a pé). Almoçámos na praça de alimentação do Shopping. E foi lá que comi o Bobó de Camarão mais gostoso de toda a viagem, no restaurante Raízes. Lá, tinha bastante comida baiana, então deu para provar várias coisas. Apenas a tilápia não estava muito boa. Tenham cuidado com algumas comidas que podem estar um pouco passadas do prazo, por passarem muito tempo ao calor. Eu, em particular, sou muito sensível a isso, mas saibam que se em algum momento algum prato não corresponder às vossas expectativas, peçam um novo, ou o dinheiro de volta… não comam algo que vos pareça estragado. Já basta aquilo que parece bom e não é!

De seguida, fomos customizar o nosso abadá na loja do Folia Bahia. Tendo em conta que existe essa loja no Shopping fiquei com ideia que dá para comprar os bilhetes para os blocos e camarotes no shopping Barra. Mas, como essa informação não estava disponível online, eu comprei no site do Folia Bahia e pedi entrega na loja do Folia Bahia do aeroporto de Salvador. Enfim, não tenho a certeza que consigam comprar bilhetes lá, mas aposto que sim! Então vale a pena vocês conferirem isso, pois a entrega no aeroporto tem um custo adicional de 150 reais por Abadá. 

A Inês fez questão de costumizar o seu abadá para brilhar no Carnaval, e ficou mesmo muito giro! Olha só!

Já eu, Carol, optei pela versão mais simples e apenas fiz uns cortes com uma tesoura em casa. Customizar o Abadá custa entre 30 e 100 euros, dependo dos adornos que vocês escolherem. Eu optei por poupar esse dinheiro, pois é algo que dificilmente vou usar mais na vida. A customização demorou uma 2 h. Às 15 h já praticamente todas as lojas do shopping tinham fechado… No Carnaval é assim, o comércio pára. Mas calma, há sempre opções para comer e beber, e tudo o que fizer falta por conta dos vendedores ambulantes nas ruas. 

O passo seguinte foi a preparação para o Carnaval. Fomo-nos maquilhar, pôr brilhantes, purpurinas, tudo para nos sentirmos o mais Carnavalescas possível! E, lá fomos para a Pipoca da Anitta. 

16. Pipoca da Anitta

Jantámos novamente na comida de rua e provámos várias iguarias, como este queijo quente.

Às 18 h partiu a pipoca da Anitta. Em frente ia o frevo da Cantora com abadás VIP que ela ofereceu. Cá atrás do carro do trio, seguia a pipoca. 

Ainda no início do circuito, deixando o Farol da Barra para trás, avistamos o Hotel Andrade onde ficam muitos artistas famosos. O Léo Santana estava à janela. Várias pessoas lhe acenavam, faziam corações… eu fiz também, e ele, com um grande sorriso, acenou para mim!!! hahaha 

A pergunta que se impõe: Como foi a Pipoca da Anitta? Loucura, muito suor, muita pegação em volta, muito LGBT+ de todos os tipos, e claro muitos momentos de aperto.

Houve ainda aquele efeito de roda a abrir, em que depois as pessoas entram no espaço dentro com saltos e brincadeira! O meu coração ficava um caguefe nesses momentos em que via a roda a abrir e sabia que a seguir todo o mundo ia começar a saltar descontroladamente.

A multidão pula, se empurra, se joga, …. doideira total. Não sei como ninguém sai aleijado dali. Não há regras. Cada um faz o que estiver com vontade de fazer. Eu não sei como… Mas a verdade é que dali só saímos todos mais felizes do que quando chegámos.

Chegou a um ponto do circuito, passado o Morro do Cristo, em que a Pipoca da Anitta apertou, apertou, apertou… E, nesses momentos, em que não aguentas mais e já só sentes o aperto sem te conseguires mexer, há que sair. Decidimos ir curtir as outras pipocas.

Seguiu-se Cláudia Leite, Ivete… foi onde passaram as músicas de Carnaval mais legais.

O Morro do Cristo foi o lugar que achámos mais tranquilo para curtir a pipoca. Mas adorámos também ir pela avenida, seguindo atrás dos blocos. 

Exceto, quando passou um bloco chamado “o Príncipe do Guetto”.

17. Nada de bom acontece depois das 2h

Já estávamos que rua que dava saída para o nosso Airbnb, quando a confusão de começou a instalar naquele lugar na avenida Oceânica. Uma mulher na multidão nos deixou o aviso: “Saiam desse lugar!”. Dali a instantes ela estava a fazer uma manobra de imobilização a um dos moleques do bloco “Principe do Guetto”. Era uma polícia à paisana percebeu a Inês naquele instante: “ isto vai dar molho”. Dali a segundos começa a haver porrada e a polícia militar entra por ali sem dar tréguas. A multidão, inclusive nós, afasta-se para as periferias e fica imóvel.

Nestas situações em que a vossa atenção está centrada no perigo da confusão, há quem já esteja acostumado a ela e tente assim tirar proveito da situação. A polícia está bastante ocupada, o povo tem o foco na pancadaria, que “boa oportunidade para jogar a mão às malas e bolsos por aí” – pensam os oportunistas.

Foi precisamente isso que fizeram comigo. Só que, sem sucesso pois eu estava bem alerta e prevenida. Eu estava afastada da confusão, juntos aos ambulantes, quando um homem de meia idade tenta jogar a mão dentro da minha bolsa à cintura. Não conseguiu abri-la pois a bolsa tinha um gancho a dificultar a abertura. Foi o suficiente para o atrapalhar e dar-me tempo de sentir algo e lhe bater na mão. Comecei a gritar “Ele tentou-me assaltar”. E o assaltante fugiu pela multidão. Nisto, a minha irmã vira-se “o que é que ele te levou?”, e nem espera pelo minha resposta desata a correr atrás dele para o esganar hahaha Foi mesmo cómico. Eu sabia que numa situação dessas a Inês não conseguiria simplesmente deixá-lo ir, ela ia querer correr atrás e esfrangalhá-lo!! hahah Mas tranquilizei-a dizendo que “ele não levou nada, não conseguiu abrir a bolsa. Fica quieta!“. Uff… Daí a situação acalmou e fomos para casa.

18. Dia do bloco do Nana

Acordámos a fomos explorar a praia do Farol da Barra. 

Pelo caminho até à praia, na avenida oceânica, circulavam crianças mascaradas que cantarolavam “ilarilariê ohohoh” com as famílias, muito fofo!

A paisagem da praia é linda! Apenas ficámos desiludidas com a quantidade de lixo que se acumula nas ruas nestes dias e que inevitavelmente acaba ir parando ao mar… É muito triste ver a quantidade de latas e tampas de garrafa que se encontra no areal.

O mar tem ondas e correntes que podem ser fortes. Como era Verão lá, o mar até estava calmo, embora ondulado mesmo assim. Fomos dar um mergulho!

Depois almoçámos coxinha de frango e pastel que tínhamos comprado na padaria que ficáva embaixo do nosso apartamento. 

Depois, fomo-nos preparar para o Bloco do Léo Santana, estávamos muito animadas para o bloco do gigante (GG). O bloco era para ter partido às 17h, mas atrasou muito…toda a multidão andava à toa e cada vez se acumulava mais gente junto ao Farol da Barra. 

Entretanto, fomos comer: eu um caldo de galinha e milho e a Inês uma Pizza, num restaurante na rua paralela, atrás da avenida oceânica, de modo a aguentar toda a noite… 

A principal diferença entre bloco e pipoca é que no bloco vamos dentre das cordas, em frente ao carro do cantor e conseguimos vê-lo (quando olhamos para trás). É estranho, mas é assim que funciona. No bloco, quem vai dentro das cordas tem uma camiseta igual, que é o chamado “abadá”.

É uma sensação brutal, pois quer na pipoca quer no bloco o povo é o protagonista! Esta frase foi da minha irmã e é sem dúvida o que melhor reflete o Carnaval de Salvador.

É isso: Uma festa de Carnaval onde o povo é o protagonista. Há quem se mascare, mas a maioria vai mesmo de si próprio! Curtindo o axé desde Barra até Ondina, fazendo aqueles passos de dança baianos que todos conhecem. Há ali uma linguagem corporal universal que é arte, que é baía, que é carnaval, que é folia!

Apesar de não conhecermos todas as músicas do GG, curtimos muito! As que não conhecíamos facilmente aprendemos. Havia momentos de ir abaixo, de fazer o “L”.

Mas, acima de tudo cada um é livre de fazer o que estiver com vontade de fazer! Isso é uma sensação de liberdade incrível. Pelo caminho há ambulantes que vão passando e gritando  “gela, gela, gela” para que abram caminho. Dá para comprar bebida e convém ter sempre dinheiro ou PIX. Mas nós Portugueses não temos PIX, então o dinheiro acaba por ser a única opção. 

A polícia militar também está constantemente a fazer rondas e passa a cada 10 min. É inacreditável o trabalho que eles fazem! Muito obrigada! Ouvi dizer que por vezes podem ser brutos, mas de todas as vezes que tentavam passar e eu não os estava a ver, nunca foram agressivos. Davam apenas um pequeno toque no braço para pedir licença e todos abrem caminho assim que os vêem. Há mesmo muito respeito pela polícia. Isso é incrível!

Nota: Durante o Bloco do Nana, aconteceu algo muito chato. Houve 2 carinhas que tentaram constantemente abrir a bolsa da minha irmã. Não tiveram sucesso mais uma vez, porque o gancho lhes dificultava a vida. Mas tantaram multiplas vezes, talvez umas 5. Foi uma situação muito desconfortável. Não conseguimos estar à vontade. Nesse aspecto, apesar de tudo, a pipoca acabou por ser mais tranquila do que o bloco. No Bloco são sempre as mesmas pessoas dentro da corda, pelo que dá mais tempo para topar o que cada um tem e não tem. Na pipoca está todo o mundo junto e misturado, acabamos por passar mais “pelos pingos da chuva”. 

Depois do bloco do Nana, ainda curtimos um pouco da pipoca do Bell Marques, e de seguida fomos comer uma pizza aos ambulantes. Era hora de seguir para o aeroporto, tínhamos um voo às 5h da manhã.

19. De Ondina até ao aeroporto

Para voltarmos de Ondina para o apartamento, tínhamos de pegar um táxi. Existe bastante oferta de uber nos pontos do circuito dedicados a tal, e pode ser importante olhar o mapa para perceber onde esses pontos ficam. Nós tínhamos uma ideia muito geral, mas lá nos desenrascámos. Na hora, íamos perguntando às pessoas onde pegar uber, e chegámos ao ponto. 

Mas, nessa noite ainda tínhamos de pegar um voo de Salvador para Recife. O táxi ia demorar, pois o trânsito já se instalara. Então optámos por moto-táxi. Aí, negociámos na hora com dois mocinhos, que eram primos, e nos levaram até ao nosso apartamento. Foi a minha primeira vez a andar de mota hahah Mas foi mesmo giro! Passar pelos carros todos parados no trânsito, a rezar por dentro para que nenhum se mexesse indevidamente. Eu só pensava: “o seguro não cobre acidentes em veículos de 2 rodas” mas era mesmo necessário, pois o avião não esperava por nós e esta era a única forma de não nos atrasarmos. Quando saímos da mota, e Inês ia-me avisar para não sair do lado do tubo que pode queimar. Nisto, ela queimou-se. Já eu, sem saber de nada disso, por sorte, saí para o lado correto. Enfim… lá tivémos de ir usar o kit primeiros socorros e pôr água fria, e depois Biafine na queimadura dela. 

Depois disso, fechámos a mala e estávamos prontas para ir para o aeroporto. Havia um ponto de táxi a 2 min a pé do nosso apartamento. Eu desci até lá e negociei o preço para o aeroporto. Eu já me tinha informado sobre quais os valores com uma empresa de turismo, a Cassi turismo, mas acabei por cancelar com eles, pois eles não conseguiriam  ir-nos buscar na nossa rua, e teríamos de sair à meia noite no bus deles. Desta forma, curtimos um pouco mais o Carnaval. Pelo mesmo valor, fechei com um rapaz na rua que tinha o telemóvel com uma luzes coloridas a dizer “Uber”. Atenção que dias antes de fazer isto, questionei-me se seria seguro apanhar taxi/uber na rua sem ser pela aplicação. Perguntei a várias pessoas, inclusivé polícia se consideravam seguro e todas me disseram o mesmo “100 por cento nunca é, mas à partida se passou para dentro do circuito é porque é credenciado”. Na noite anterior, eu própria perguntei aos taxistas se eram credenciados e se poderiam mostrar algo a comprovar, e eles mostraram e não levaram a mal por isso. Até fiquei com o contacto de um deles para chamar caso fosse preciso, mas no momento ele estava ocupado a fazer uma viagem. Então fomos mesmo com um daqueles que estava lá disponível. 

20. O aeroporto mais cool do planeta

Chegádas ao aeroporto, a festa continuava. Nós estávamos mesmo felizes! Todos no aeroporto estavam. Eram 4h da manhã e o pessoal dançava e cantava circulando com as malas ainda embalados do Carnaval. Tínhamos todos Carnaval na cabeça, até as moças e moços que atendiam nas lojas cantarolavam as músicas de Axé que iam passando àquela hora. Eu juro que nunca vi nada assim! As pessoas dançavam no aeroporto e riam, e falavam alto… eram 4 h da manhã! Mas a disposição era inacreditável. 

No entanto, eventualmente, depois de horas a cantar de dançar, dá-nos a “quebra”. Vocês acreditam que o aeroporto de Salvador tem redes onde as pessoas podem dormir? Esta é ideia mais genial de sempre. Como é que isto não existe noutros aeroportos?

Eu e a Inês esperámos até vagaram e ainda lá cochilámos uns valiosos 20 minutos. às 5h, tínhamos de pegar voo para Recife! Para continuar o Carnaval, mas sabíamos que nada iria conseguir bater aquela loucura que era o de Salvador.

No viagem para Recife, sonhámos com o Axé, com a loucura com a energia surreal! Tínhamos mesmo vivido um sonho, do qual saímos mais felizes do que quando chegámos!

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